Categoria: Mercado

Chegada do metrô à Barra mexe com o mercado imobiliário na região

Ao cruzar a nova ponte estaiada construída sobre o Canal de Marapendi, as composições do metrô trouxeram à Barra da Tijuca mais do que passageiros. Com atrações como o trecho de praia mais badalado da Zona Oeste, ruas tranquilas e remanescentes de Mata Atlântica, o Jardim Oceânico tem experimentado uma peculiar movimentação desde a abertura da primeira estação do trem subterrâneo em seus limites.

Mesmo em meio à crise que se abateu sobre o mercado imobiliário carioca, o valor do metro quadrado na região vem aumentando em ritmo que em nada se compara à semi-estagnação que se vê nas outras áreas da cidade. Entre janeiro e setembro deste ano, o preço dos imóveis da Avenida Erico Veríssimo, uma das principais do bairro, aumentou 4,8%, atingindo a média de 11 856 reais por metro quadrado.

O mesmo pode ser notado na orla, na Avenida do Pepê, onde a variação foi de 3,8%, com o metro quadrado batendo em 17 051 reais, segundo os dados do Sindicato da Habitação (Secovi Rio). No restante da Barra, o valor subiu, no máximo, 1,3%, e na Zona Sul, 1,8%.

“A chegada do metrô teve impacto real sobre a relação custo-benefício, e o interesse dos compradores cresceu. Os imóveis são espaçosos e os preços, mais justos do que na Zona Sul”, explica Rodolfo Judice Araujo, diretor da imobiliária que leva seu sobrenome, que é especializada em imóveis de luxo e acaba de abrir uma filial na região.

Desde que a cidade foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos, em 2009, os planos de comprar um apartamento tornaram-se miragem para a imensa maioria dos cariocas, tamanha foi a valorização das propriedades.

Agora, com o fim da temporada olímpica e o marasmo econômico que atinge todo o país, as oportunidades começam a surgir — e o Jardim Oceânico oferece algumas delas. Apesar de os valores estarem mais altos e de o número de ofertas já escassear, ainda é possível fazer bons negócios por ali pagando menos do que em outros pontos da orla.

O empresário Marcelo Roza, por exemplo, assinou, na última semana, a escritura de seu primeiro imóvel, localizado justamente nesse pedaço charmoso da Barra, depois de contribuir por seis anos para um consórcio. A cobertura dúplex de 180 metros quadrados custou 1,5 milhão de reais e foi adquirida com um desconto de 200 000 reais em relação ao preço inicialmente pedido pelo proprietário. “Sempre morei em Copacabana e jamais poderia comprar um imóvel como este, tão próximo à praia. Estou apostando que, com o metrô e o novo elevado, o trânsito vai melhorar”, explica.

O otimismo também já atingiu os comerciantes. Eles esperam que o bom fluxo trazido pelos visitantes durante a Olimpíada se mantenha. A chef Tati Lund, do .Org Bistrô, tem recebido clientes que chegam ao bairro pelo metrô. “Nasci e sempre vivi na Barra. Eu não via a hora de a obra acabar. O movimento melhorou, mas já escuto que o aluguel também ficou mais caro. Há pontos que saem por 14 000 reais por mês”, explica a cozinheira, que substituiu o carro pelo metrô em parte de sua rotina.

Cada nova estação de metrô inaugurada pela cidade impõe ao seu entorno uma série de mudanças. A primeira e mais impactante é o desaparecimento dos canteiros de obras que por anos atazanaram os moradores. Só isso já implica um ganho excepcional.

No plano piloto da Barra da Tijuca, traçado em 1969 pelo urbanista Lúcio Costa (1902-1998), definiu-se que o bairro seria organizado a partir de grandes avenidas e espaços abertos, mas o recanto entre a praia e a Lagoa da Tijuca ficou diferente. Com prédios baixos, o Jardim Oceânico mantém um ar de cidade de veraneio. O desafio dos moradores e comerciantes é garantir que essa característica tão especial não desapareça daqui para a frente.

(Veja Rio)

Governo muda regras para financiamento de imóveis novos

Depois de pressão das construtoras que amargam a crise econômica, o governo mudou regras para incentivar a venda de imóveis de até R$ 1,5 milhão. Nesta última quinta-feira, 29/09, o Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou uma norma do sistema financeiro para permitir que os bancos façam esse tipo de empréstimos com juros menores, de até 12% ao ano. Essa taxa era garantida apenas para financiamentos de imóveis de até R$ 750 mil, que estavam enquadrados no Sistema Financeiro de Habitação (SFH).
A medida vale por um ano e é vista como um teste pela equipe econômica. Para incentivar o segmento de imóveis de maior valor, o CMN mudou a regra que disciplina o uso dos recursos que os clientes depositam na caderneta de poupança.

Atualmente, os bancos têm de usar, no mínimo, 65% desses depósitos em financiamentos da casa própria. Desse montante, 80% têm de ser empréstimos do SFH. Agora, o conselho permitiu que os bancos usem 10% da exigibilidade (ou seja, dos 65%) em contratos habitacionais de bens de até R$ 1,5 milhão. Com isso, essas novas operações teriam juros menores que os praticados pelo mercado atualmente.

Apesar de o financiamento ser classificado como sendo no SFH, o mutuário não terá outras vantagens como os que compram imóveis que são devidamente enquadrados no sistema como, por exemplo, abater o valor do imóvel com o saldo do FGTS. As regras para esse abatimento continuam as mesmas: para usar o fundo de garantia, é necessário comprar imóveis de até R$ 750 mil no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal e de até R$ 650 mil no restante do país.

Quem comprar imóveis acima desses valores pode ter é juros mais baratos no financiamento. No entanto, os efeitos da medida do CMN não devem aparecer imediatamente. O conselho explicou que atualmente, os bancos têm mais financiamentos que o exigido pelas normas e apenas algumas instituições podem aderir à medida.

Pelas regras, os bancos deveriam ter R$ 322 bilhões emprestados pelo SFH e já estão com empréstimos que somam R$ 344 bilhões. Há, entretanto, algumas instituições com pequenas folgas. Essas podem criar produtos para atender clientes com uma faixa de renda maior.

Segundo Silvia Marques, chefe do departamento de regulação do Banco Central, esse é apenas um teste da equipe econômica, que quer avaliar a demanda por esse tipo de contrato.

— É só mais uma opção para o banco. Vamos avaliar a efetividade da medida neste ano. O banco pode aplicar ou não — explicou a economista.

Ela ressaltou ainda que mexer no financiamento não significa que o governo estuda mudar o limite para o uso do FGTS para imóveis nessa faixa. Essa é uma grande demanda do setor de construção para enfrentar a crise.

— A mudança anunciada hoje não é uma sinalização nesse sentido — concluiu, ao lembrar que isso tem de ser feito pelo Conselho Curador do FGTS.

Outra decisão tomada pelo CMN aprimora regras das operações compromissadas — operações de compra (ou venda) de títulos com compromisso de revenda (ou recompra). A partir de agora, será permitido fazer esse tipo de operação com Letra de Arrendamento Mercantil (LAM). Segundo o Banco Central, o objetivo é aumentar as negociações desse papel e oferecer fontes alternativas de recursos para empresas desse setor.

O BC também alterou critérios de operacionalização do Cadastro Positivo. Agora, será permitido que empresas se juntem para atingir a exigência de patrimônio líquido mínimo de R$ 70 milhões, necessário para receber informações das instituições autorizadas pelo Banco Central. Com isso, a tendência é aumentar o número de empresas que operacionalizam o Cadastro Positivo.

(O Globo)

Região portuária ressurge como área de interesse para moradia

A região portuária é um dos destaques dentre os locais de interesse para construção de unidades habitacionais na cidade do Rio de Janeiro.

Entre os principais benefícios, estão a facilidade de transporte e de integração com outros bairros, proximidade da principal região empregatícia e cultural e o aumento da qualidade de vida dos moradores.

“A região do Porto, do ponto de vista de novas residências, pode gerar um boom imobiliário fantástico para a cidade do Rio de Janeiro. É uma área com muito espaço, facilidade de mobilidade, proximidade com o maior centro de trabalho do estado e integração com outros bairros, por meio de túneis e outras formas de transportes públicos, como metrô, trem, VLT e BRT”, observa o vice-presidente administrativo do Secovi Rio, Ronaldo Coelho Netto.

Em reportagem recente do DCI,a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto Maravilha (Cdurp) falou sobre o potencial econômico da região, que recebeu R$ 9,9 bilhões em investimentos e tem 85% das obras de urbanização e infraestrutura concluídas.

Os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) negociados com empreendedores imobiliários garantiram os recursos investidos pela prefeitura, que projeta o aumento de 32 mil para 100 mil no número de habitantes na região de 5 milhões de metros quadrados.

“As melhorias de mobilidade na cidade do Rio trazem uma nova possibilidade de moradia, inclusive para residirem em outros municípios da Região Metropolitana do Rio”, acredita Ronaldo Coelho Netto. Levantamento feito pela Prefeitura do Rio a partir de 2013 prevê 51 projetos residenciais, 38 comerciais, 8 culturais e 7 hoteleiros, entre outros, no Porto.

No período olímpico, a região viu o aumento de ações para forma ção de profissionais e contratação de moradores. Cerca de 15% dos funcionários da Cdurp, do Museu do Amanhã e do Museu de Arte do Rio (MAR) vivem nos arredores. Hotéis e bares e o sistema do VLT também empregam mão de obra que vive na região do Porto Maravilha.

(DCI)

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