Categoria: Mercado

Ambiente de testes do e-Social prepara empresas e condomínios para a utilização do sistema em 2018

Em 1° de agosto foi disponibilizado o acesso ao ambiente de testes da plataforma do e-Social para todas as empresas do país. A etapa tem como objetivo preparar o setor produtivo para o início da utilização obrigatória do sistema, em 1º de janeiro de 2018, para empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões anuais e, a partir de 1º de julho de 2018, para todos os demais empregadores do país. As mudanças afetam todas as empresas que tenham funcionários, incluindo também os condomínios.

Criado pelo Governo Federal através do Decreto nº 8.373/2014, o e-Social institui um sistema de escrituração digital das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas com o envolvimento da Receita Federal, do Ministério do Trabalho, do INSS e da Caixa Econômica Federal. O sistema padroniza a transmissão, validação, armazenamento e distribuição de informações feita pelo empregador e integrará a rotina de mais de 8 milhões de empresas e 40 milhões de trabalhadores no país.

Nos condomínios, todas as rotinas trabalhistas como admissões, aviso e pagamento de férias, desligamentos, não poderão mais ocorrer de forma retroativa como acontece hoje. Será necessário fazer um planejamento e as informações deverão ser enviadas em tempo real. No caso de uma admissão, por exemplo, o condomínio deverá enviar as informações da contratação, os dados pessoais e as informações trabalhistas um dia antes de o funcionário iniciar o trabalho.

Outro ponto é o cumprimento das normas de Medicina e Segurança do Trabalho. Os laudos médicos e atestados obrigatórios deverão estar sempre dentro da validade e, caso o condomínio não possua esses documentos, pode solicitar o auxílio de uma administradora que possa auxiliar no levantamento das informações antes mesmo de o e-Social entrar em vigor.

Portanto, recomenda-se que os síndicos não deixem para a última hora e procurem desde já uma administradora devidamente preparada que possa dar toda a orientação necessária. Além disso, os responsáveis pela gestão dos recursos humanos devem ser informados sempre dos fatos ocorridos com os trabalhadores na medida em que eles vão acontecendo, não deixando as informações se acumularem para serem repassadas uma única vez por mês como hoje é feito em muitos casos.

Secovi Rio

Caixa exigirá entrada de 50% para compra de imóvel usado

A partir de hoje, ficará mais difícil financiar a compra de imóveis usados pela Caixa Econômica Federal. O banco público, líder no segmento, decidiu reduzir o teto do financiamento de imóveis usados de 70% para 50% do valor do bem. Ou seja, quem estiver interessado em comprar a casa própria vai precisar desembolsar metade do valor do imóvel para conseguir o financiamento.

A medida só valerá para novos contratos e ficará em vigor até o fim do ano, pelo menos. Além disso, o banco público suspendeu novos financiamentos em que um imóvel já financiado por outra instituição financeira é vendido para um terceiro, usando recursos da Caixa. As novas regras valem para financiamentos com recursos da poupança e do FGTS. Contratos em vigor continuam sem qualquer alteração.

Segundo o vice-presidente de Habitação da Caixa, Nelson Antonio de Souza, a prioridade do banco, agora, é financiar imóveis novos.

– A prioridade é para imóveis novos, que geram emprego e renda. Não mensuramos o impacto no mercado, mas essa medida será até o final do ano. Depois, voltam às condições anteriores. A mudança é para estimular empregos e focar recursos para novas obras – disse o vice-presidente.

O banco também recomendou à sua rede que dê preferência a contratos com menores cotas de financiamento e que tenham indicação ou melhor qualificação.

RITMO MENOR

A nova decisão vem em um momento em que a Caixa está reduzindo o ritmo do crédito habitacional em todas as linhas, mas sobretudo com recursos do FGTS. Em julho, o banco já havia anunciado que a linha pró-cotista, suspensa em maio por falta de recursos, seria retomada apenas em 2018.

Uma das justificativas apresentadas pelo banco público é adequar o sistema a uma nova norma do Ministério das Cidades. Editada em agosto, a Instrução Normativa 32 determina que o orçamento habitacional do FGTS seja executado de forma mensal, e fixa percentuais para os meses de agosto a dezembro, para evitar que a verba acabe antes do fim do ano.

Segundo o Ministério das Cidades, a medida foi editada porque o FGTS não dispõe de margem para liberar recursos novos além do orçamento anual, que é de R$ 71,7 bilhões em 2017. A Caixa recebeu 80% deste montante, e o Banco do Brasil, os 20% restantes.

De acordo com dados da Caixa, o volume do crédito imobiliário atingiu R$ 62 bilhões até setembro, sendo R$ 47,6 bilhões com recursos do FGTS. As concessões subiram 20,5% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o orçamento também ficou maior. Segundo Souza, o montante disponível para 2017, somando várias fontes, é de R$ 84,2 bilhões, contra R$ 81 bilhões em 2016.

Fonte: O Globo, Manoel Ventura e Geralda Doca

Microapartamentos fazem sucesso, apesar da crise

Esqueça as varandas com churrasqueiras, a sala de televisão, a cozinha ampla, o cantinho especial para a mesa de jantar com dez lugares. O sucesso da vez no mercado imobiliário é um apartamento de apenas 10 m². Lançado no mês de agosto, na região central de São Paulo, um empreendimento de 72 unidades com esta metragem minúscula, já tem fila de espera. A demanda, segundo a construtora responsável pelo prédio, a Vitacon, é de três interessados para cada apartamento. É um imóvel que atrai mais pelo bairro do que pelo espaço interior. Localizado em Santa Cecília, na rua das Palmeiras, em São Paulo, o imóvel de 10 m² custa R$ 99 mil e terá um condomínio em torno de R$ 250. “O pessoal não se incomoda de viver em um lugar menor, se for para viver mais perto de onde trabalha ou estuda”, diz Alexandre Lafer Frankel, CEO e fundador da Vitacon.

Levantamento do Zap Imóveis mostra que a demanda por apartamentos de até 30m² cresceu 37% de janeiro a agosto de 2017 em comparação ao mesmo período de 2015 (para imóveis usados). Frankel está de olho nesse potencial. O jovem executivo de 39 anos se mostra um entusiasta dos microapartamentos, ou ultracompactos, como ele prefere. Lançou a Vitacon, incorporadora e construtora, em 2009. O primeiro empreendimento foi um imóvel de 43 m², já considerado pequeno para os padrões do mercado imobiliário. O executivo estava de olho em um público crescente, de executivos bem-sucedidos ou investidores, que tinham cansado de pagar por flats, mas o faziam pela boa localização. Frankel pensou que poderia oferecer um espaço menor, onde eles pudessem se sentir em casa. O que o apartamento não permitisse, a área do condomínio complementaria, com espaços para convivência, lavanderia e diversão. “Propusemos um novo estilo de vida”, diz.

Frankel gostou do conceito compacto. Lançou nos anos seguintes prédios em torno de 30 m², depois de 20 m² e até de 14 m² em 2015. O público alvo inicial ampliou-se. Passou a atrair casais sem filhos, estudantes, jovens que queriam sair da casa dos pais, casais do interior que buscavam uma base em São Paulo, idosos que já não moravam mais com os filhos ou netos. Hoje, segundo Frankel, o público gay solteiro “é fortíssimo”, além de ser alta a presença entre os compradores dos imóveis compactos de cariocas que passam a semana na capital paulista e até de paulistas que vivem em Alphaville e querem evitar o trânsito por algumas horas. “Adoraria que todo mundo pudesse viver em espaços maiores, mas essa solução dá maior acesso, pelo bom custo-benefício. É uma forma de democratizar a moradia”, afirma Frankel.

Colocar todos esses projetos em prática, porém, exigiu desenvolver novas soluções não disponíveis em larga escala no mercado imobiliário brasileiro. Ao diminuir a metragem, cada pequena área precisou ser milimetricamente pensada para uma ou até mesmo várias utilidades. O armário que se desloca, a mesa que se abre e fecha na vertical, a cama que vira sofá … Cases da indústria naval e de aviação foram usados como inspiração pela contrutora de Frankel. “Essas indústrias já estão acostumadas a lidar com espaços reduzidos há um bom tempo”.

O novo apartamento de 10 m² trouxe o desafio de pensar ainda menor. No imóvel, só há espaço para um sofá-cama, TV e um pequeno guarda-roupa. Por R$ 40 mil a mais, é possível comprar a unidade já mobiliada. Frankel garante, porém, que é possível encaixar móveis de tamanhos normais no minúsculo apartamento e decorá-lo para morar com cerca de R$ 5 mil. No térreo, há um coworking, para quem quiser trabalhar com mais espaço, um lounge para quem quiser receber visitas, uma lavanderia e um pub para conversar com os amigos. Há ainda uma cozinha compartilhada. “Porque é claro que ninguém vai fritar um bife em 10 m²”, brinca Frankel. Ele define o seu empreendimento como um “hub social”, onde você trabalha ao lado de vizinhos, faz amigos e a lavanderia parece cena de filme. “Vira lugar romântico até”.

Os futuros empreendimentos da construtora incluem projetos deste mesmo tamanho. Um imóvel de 10 m² será lançado perto da região da Paulista, privilegiando a localização. A estratégia é ampliar o leque de tamanhos, “construindo prédios que vão acompanhando a pessoa ao longo da vida”. Um dos planos, por exemplo, é lançar um apartamento pequeno para o público idoso ao lado do hospital Albert Einstein na capital paulista. Outro, na rua Capote Valente, no bairro de Pinheiros, terá como prioridade questões de saúde e bem-estar e contará até com horta compartilhada.

Quando questionado sobre a crise econômica e as possíveis dificuldades enfrentadas pelo setor imobiliário, Frankel diz que 2017 é o melhor ano da história companhia. Ele não revela o faturamento da Vitacon, mas diz que o VGV (volume geral de vendas) é, até o momento, de R$ 470 milhões.

E no futuro poderemos ter apartamentos ainda menores do que 10 m²? Frankel confirma a possibilidade e conta que conheceu imóveis no Japão com até 6m².  E onde era possível “viver bem”, ele frisa. “Havia um tatame gigante e as roupas eram guardadas embaixo dele. Um fogãozinho ao lado e tudo funcionava perfeitamente bem”.

Fonte: Época Negócios, Barbara Bigarelli

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