Categoria: Compra e Venda

Prédio na Zona Portuária do Rio é vendido após três anos vazio

Mais de três anos após ter sido construído, um dos maiores edifícios comerciais da Zona Portuária do Rio será finalmente ocupado. A Bradesco Seguros fechou nesta segunda-feira (5/2) a compra do Port Corporate Tower, torre de 22 andares finalizada em novembro de 2014 pela firma imobiliária americana Tishman Speyer. A transação, estimada em algo entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões por fontes do mercado, é a mais importante já registrada no Porto, cuja taxa de vacância terminou 2017 acima dos 80%.

Localizado no Caju, ao lado do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e com acesso à Avenida Brasil, o imóvel tem 18 andares de escritórios, totalizando 36 mil metros e certificação de sustentabilidade LEED Gold. A torre receberá os 4 mil funcionários do braço de seguridade do banco, que hoje trabalham em um prédio construído há décadas no Rio Comprido, Zona Norte. Procurada, a Bradesco Seguros não quis comentar a mudança, mas estima-se que transferência para o novo endereço levará alguns meses.

PREÇOS EM QUEDA

Até agora, apenas parte de um andar do Port Corporate Tower estava sendo ocupada, pelos escritórios da própria Tishman Speyer no Rio.

– Apesar das dificuldades enfrentadas pelo Rio, a infraestrutura do Porto e sua proximidade com relação aos aeroportos se destacam em comparação ao Centro, com seus prédios antigos, e à Barra e seus entraves à locomoção. O negócio mostra que o que se vislumbrava com o Porto está se concretizando, virando realidade – afirmou Daniel Cherman, diretor da Tishman Speyer no Brasil.

O Port Corporate Tower é um dos dez edifícios comerciais de alto padrão localizados no porto – que, em sua maioria, estão vazios. Segundo monitoramento da consultoria especializada Cushman & Wakefield, a região portuária registrou taxa de vacância de 83,5% no último trimestre de 2017, mais que o dobro da taxa da cidade do Rio como um todo, que foi de 40,7%. Com muitos escritórios vagos, os preços no Porto estão caindo. De acordo com a consultoria, o preço médio na região caiu 11% em um ano, para R$ 87,7 o metro quadrado.

“Com os preços descendo, muitas empresas estão aproveitando e se mudando para a região, em um movimento de flight-to-quality (busca de qualidade)”, afirmou o relatório da Cushman & Wakefield.

– É uma transação emblemática. Deve ser a maior do ano no Rio e é certamente a maior que já ocorreu no Porto. O Bradesco aproveitou um momento de preço mais em conta. Há quatro anos, provavelmente não faria essa transação – observou uma fonte que acompanha as movimentações do setor no Rio. – O mercado imobiliário se move de acordo com a oferta. É ela que estimula a demanda, sobretudo em uma área não tradicional.

No ano passado, uma das transações que movimentou o mercado foi a mudança da Vale – que se dividia entre o Città America, na Barra, e o Leblon – para o prédio anexo ao da Fundação Getulio Vargas (FGV), na Praia de Botafogo, Zona Sul. O imóvel é alugado e receberá 1.200 funcionários da mineradora. A transferência começou em dezembro e deve ser concluída ao longo dos próximos meses.

Embora ainda haja muitos imóveis comerciais vazios no Porto, alguns movimentos sinalizam uma reação. No ano passado, a L’Oréal mudou sua sede para um novo prédio, localizado na esquina da Rua Barão de Tefé com a Avenida Venezuela, o Barão de Tefé 27. Em agosto, o YouTube Space, do site de vídeos da Google, ocupou um dos armazéns do Porto.

APOSTA EM PRÉDIO RESIDENCIAL

Mas a oferta no Porto não pára de crescer. A própria Tishman Speyer entregou em outubro o Aqwa Corporate, localizado na Avenida Binário. Com duas torres de 19 andares, projetadas pelo arquiteto inglês Norman Foster, o edifício recebeu o evento CasaCor, em novembro. Cherman tem conversado com firmas do setor de petróleo e multinacionais, e sua expectativa é fechar contratos de locação ainda neste semestre.

A companhia tem ainda planos para construção de um edifício residencial próximo ao Aqwa, o Projeto Lumina. O terreno já foi comprado, e o projeto está em fase de estudos, ressaltou Cherman. A ideia é erguer um prédio de 300 apartamentos, com área entre 50 a 150 metros quadrados. O lançamento está previsto para o ano que vem, e a entrega, para 2021.

– Problemas como a violência existem, mas a cidade não vai desaparecer. Acreditamos que a região do Porto, que já conta com equipamentos turísticos e de lazer, será um lugar de preferência – afirmou o diretor da Tishman Speyer.

(O Globo online, Rennan Setti)

Caixa volta a financiar a casa própria com FGTS

O trabalhador que tem FGTS e busca a tão sonhada casa própria agora volta a ter uma chance. A Caixa Econômica Federal retomou ontem a linha de financiamento de imóveis Pró-Cotista para unidades de até R$ 1,5 milhão com recursos do fundo. Além disso, o banco restabeleceu o teto para financiar imóveis usados de 50% para 70% do valor total. O patamar havia sido reduzido no fim de setembro do ano passado, o que dificultou a aquisição de imóveis para quem não possuía recursos próprios. Os juros são a partir de 7,85% ao ano.

Para o economista da Fundação D. Cabral e economista do Ibmec, professor Gilberto Braga, o restabelecimento indica a retomada do mercado imobiliário porque atenderá aos interesses da classe média, que busca um imóvel maior, e, para muitos, a oportunidade de deixar de pagar aluguel.

“Um imóvel de R$ 700 mil, por exemplo, exigirá R$ 210 mil de sinal e uma prestação (sem seguro e impostos) de pouco menos de R$2 mil em 25 anos”, explica. E pondera: “O difícil é entrar no sistema de habitação porque depois a prestação fica mais barata que o aluguel”.

Serão disponibilizados R$4 bilhões para a linha Pró-Cotista FGTS. Vale lembrar que apenas Caixa e Banco do Brasil oferecem essa modalidade de financiamento. A taxa de juros aplicada a quem não tem relacionamento com o banco é de 8,85% ao ano na Caixa e de 9% ao ano no Banco do Brasil. Caso o comprador tenha relacionamento com a Caixa, os juros cobrados na linha Pró-Cotista podem ser ainda menores e chegar a 7,85% ao ano. O prazo máximo de financiamento oferecido nos dois bancos é de até 360 meses.

Para ter acesso a essa linha de crédito é necessário ter contribuído ao FGTS por mais de três anos, consecutivos ou não. Caso o futuro mutuário se enquadre nessa exigência, a conta vinculada ao fundo deve estar ativa, ou seja, o trabalhador precisa ter emprego de carteira assinada e fazer contribuições mensais ao FGTS.

Não há restrição com relação à renda familiar dos compradores, desde que o imóvel financiado não tenha valor maior que R$ 1,5 milhão.

Para ter acesso a essa linha de crédito é necessário ter contribuído ao FGTS por mais de três anos, consecutivos ou não. Caso o futuro mutuário se enquadre nessa exigência, a conta vinculada ao fundo deve estar ativa, ou seja, o trabalhador precisa ter emprego de carteira assinada e fazer contribuições mensais ao FGTS.

Não há restrição com relação à renda familiar dos compradores, desde que o imóvel financiado não tenha valor maior que R$ 1,5 milhão.

Fonte: O Dia, Martha Imenes

Tempo médio para vender imóvel bate recorde, mas preço não baixa

“São três quartos, sendo uma suíte, varandão, sala, cozinha e uma pequena área, e duas vagas na garagem – 130 metros quadrados”, anuncia a artista plástica Aglaia Peltier.

Preço inicial: R$ 750 mil, isso há cinco anos. Hoje o imóvel está anunciado por R$ 600 mil. E ainda sem comprador

“Prejuízo. Você paga IPTU, você paga condomínio, conservação do apartamento. Você de vez em quando tem que dar uma limpeza e aqui em volta de mim também tem vários, mesma situação minha. Eu acho que é a crise. A crise está feia. Não há dinheiro. Não sei quando vai melhorar essa situação”, lamenta Aglaia.

No Brasil, o tempo médio para se vender uma casa ou apartamento chegou a um ano e quatro meses, de acordo com um levantamento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias. É o maior tempo de espera já registrado.

Mas, mesmo com tanta oferta, os preços cedem pouco. Nos últimos 12 meses, recuaram, em média, apenas 0,5%.

Com o excesso de oferta e estoque alto o normal seria que todos os preços baixassem mais. Mas não foi isso que aconteceu. Os corretores explicam que os donos dos imóveis antigos resistem em cobrar menos. Já nos lançamentos, as empresas não podem esperar.

“Tem muito imóvel antigo estocado porque o vendedor do imóvel antigo não é profissional de venda. Cada um pede o preço que prefere. Então é um pouco mais difícil de lidar”, explicou Edson Pires, que é diretor de imobiliária.

“O imóvel valia R$ 500 mil, foi quase a R$ 1,5 milhão e agora vou baixar para R$ 500 de novo? Não. Ele vai dar pequenos descontos, ele vai testando o mercado, ele vai vendo até onde ele pode segurar, não vender. Às vezes até coloca para alugar”, diz Leonardo Schneider, vice-presidente do sindicato da habitação (Secovi Rio).

Num lançamento na Zona Oeste do Rio, o preço do apartamento de dois quartos caiu de R$ 620 mil para R$ 425 mil.

“Você tem prazos maiores. Você tem financiamentos com condições bem diferentes, eles têm buscado incentivar esses possíveis compradores através de promoções, descontos, né? Acho que é o momento propício para quem quiser comprar um imóvel, um momento que está entrando num momento de baixa”, afirmou Schneider.

(G1)

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