Categoria: Mercado

Caixa Econômica vai elevar taxa juros de imóveis

A Caixa Econômica Federal vai aumentar as taxas para os financiamentos de imóveis residenciais, comerciais e mistos feitos com recursos da caderneta de poupança (SBPE). As novas condições para a casa própria passarão a valer para os créditos habitacionais concedidos a partir do dia 24 de março. O último reajuste da tabela de juros ocorreu há cinco meses, em outubro do ano passado.

A confirmação sobre a nova correção das taxas foi feita ontem, dez dias após o banco anunciar a elevação o limite de financiamento de 50% para 70% do valor do bem, na mesma linha de crédito, também a partir da próxima quinta-feira.

Nos contratos feitos pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), a taxa balcão — para clientes sem relacionamento com o banco — subirá de 9,9% para 11,22% ao ano. Para quem já tem conta-corrente na instituição financeira, os juros subirão de 9,8% para 11% ao ano. Vale lembrar que esses percentuais são de juros efetivos, ou seja, reais, pois já embutem os encargos.

As taxas para os que recebem salários pela instituição e para os servidores (cujas parcelas dos financiamentos podem ser descontadas em folha de pagamento) também serão corrigidas (confira ao lado).

Nas operações enquadradas no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), em que os imóveis têm valores de R$ 650 mil a R$ 750 mil, a taxa balcão subirá de 11,5% para 12,5% ao ano, para imóveis residenciais.

As taxas de juros dos financiamentos habitacionais com recursos do “Minha casa, minha vida” e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não sofrerão alterações.

(Extra)

 

Caixa anuncia lucro de R$ 7,2 bilhões e medidas para crédito imobiliário

Fatia de financiamento de imóvel usado sobe de 50% para 70%.  Banco também vai voltar a financiar segundo imóvel.

A Caixa Econômica Federal anunciou na manhã desta terça-feira (8) ter registrado lucro líquido de R$ 7,2 bilhões em 2015, valor 0,9% superior ao obtido no ano anterior. O banco também apresentou medidas de estímulo ao crédito imobiliário, com aumento da cota de financiamento de imóveis usados e reabertura do financiamento do segundo imóvel.

Segundo a presidente da Caixa, Miriam Belchior, o banco vai aumentar a cota de financiamento de imóveis usados, que deverá alavancar o mercado como um todo. De acordo com a Caixa Econômica, hoje é possível financiar até 50% do valor do imóvel usado – fatia que vai passar a 70%.

“A cota de financiamento de imóveis é um dos fatores que mais impactam a demanda. Quanto maior a cota, maior o número de interessados”, afirmou.

O limite de financiamento para imóveis usados foi reduzido pela Caixa em maio de 2015, quando passou de 80% para 50%. Na ocasião, o banco justificou a medida afirmando que pretendia focar no crédito habitacional de moradias novas.

MUDANÇA DE LIMITE DE FINANCIAMENTO DA CAIXA
LIMITE SFH SFI
Até maio de 2015 80% 70%
De 2015 até agora 50% 40%
Limite novo 70% 60%

A mudança vale apenas para imóveis usados financiados com recursos da poupança – ficam de fora da mudança o crédito para a habitação popular, como o programa Minha Casa Minha Vida, e os financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Nestas modalidades, o financiamento não havia sofrido restrições em 2015.

Pelas novas regras, os financiamentos com recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) terão uma elevação do limite do valor total financiado de 50% para 70% do valor do imóvel no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 40% para 60% para imóveis no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).

Segundo imóvel

De acordo com Miriam Belchior, a Caixa também vai reabrir o financiamento imobiliário para o segundo imóvel. “Serão as mesmas condições de financiamento do primeiro imóvel. Ele (o tomador de crédito) poderá ter dois imóveis financiados ao mesmo tempo”.  A restrição estava em vigor desde 17 de agosto do ano passado.

“Com essas medidas, a Caixa vai elevar a quantidade de contratações neste ano em mais 64 mil unidades, 13% em relação ao total antes previsto”, disse Miriam.

Resultados

Segundo a Caixa, os principais destaques do resultado do ano passado foram as receitas originadas pelo relacionamento com clientes nas contas correntes e cestas de serviços, que cresceram 30,7%, pelos cartões de crédito em 12% e pelos convênios e cobrança em 10,1%.

A carteira de crédito avançou 11,9% em 12 meses e alcançou saldo de R$ 679,5 bilhões, representando 20,9% do mercado. O crédito habitacional continuou a ser o principal destaque do crédito, com evolução de 13% no ano e saldo de R$ 384,2 bilhões. O valor representa 67,2% do mercado do país.

“Em 2015 tivemos ano desafiador, com repercussões no nível de atividade e arrefecimento no nível de crédito, mas alcançamos um lucro maior do que o de 2014…Fizemos melhoria de processos e redução de desperdícios que resultaram em uma economia de R$ 2,8 bilhões durante o ano passado. Nossas despesas administrativas, por exemplo, cresceram menos que inflação”, citou a presidente da instituição, Mirian Belchior.

O banco ainda anunciou que, mesmo diante das adversidades, a carteira de crédito da Caixa cresceu 11,9% em 12 meses. O crédito habitacional avançou 13% no ano e saldo de R$ 384,2 bilhões.

A Caixa afirma ter injetado, em 12 meses, R$ 732,7 bilhões na economia brasileira por meio de “contratações de crédito, distribuição de benefícios sociais, investimento em infraestrutura própria, entre outros”.

Na avaliação da presidente, este ano traz grandes desafios, mas o banco vem se planejando para “potencializar a capacidade de negócios com mais eficiência e menos custos”.

Em 2015, a base de clientes da instituição somou 82,9 milhões de correntistas e poupadores em 2015, um aumento de quase 6% em 12 meses. A carteira de pessoas físicas atingiu 80,7 milhões, e a de pessoas jurídicas, 2,2 milhões.

 

Brasil já enfrenta a desaceleração do mercado imobiliário – mas sem estouro de bolha

Preços de imóveis recuam, mas não há desvalorização vertiginosa por causa do déficit de 5 milhões de moradias que ainda existe no país

A crise econômica que o Brasil atravessa intensificou o freio do setor imobiliário, um mercado que foi desacelerando após viver uma época dourada entre 2009 e 2011. A queda nos preços dos imóveis, o enfraquecimento das vendas e a falta de novas promoções obscureceram o setor em 2015, um ano marcado pelo esfriamento da economia e uma aguda crise política.

A contração do crédito, a alta da inflação e o aumento do desemprego minguaram a confiança dos consumidores e aumentaram a pressão sobre um setor que começou a perder força no final de 2012, afirma o diretor da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Fernando Moura. O número de novas promoções caiu 19,3% em 2015, e as vendas do setor acumularam uma queda de 15,1% em comparação com 2014, segundo dados da Abrainc.

A queda da demanda ocorreu por causa da combalida conjuntura econômica, mas o déficit de mais de 5 milhões de moradias não permitiu o surgimento de uma bolha imobiliária – e de seu estouro -, segundo Moura.

De fato, apesar dos elevados preços que imperaram no país nos últimos anos, a queda dos valores não significa uma diminuição da bolha simplesmente porque nunca houve uma especulação desse tamanho. “Houve uma valorização dos imóveis por causa do aumento do crédito e da melhora dos prazos de financiamento, o que introduziu muitas pessoas no mercado e aumentou a demanda, mas não houve uma bolha”, disse.

Preços impensáveis – Os preços dos imóveis alcançaram níveis impensáveis alguns anos atrás, sobretudo no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, mas os valores iniciaram uma rota descendente, percebida especialmente em 2015. O preço médio de imóveis novos caiu 9% em termos reais (descontada a inflação) em vinte cidades brasileiras no ano passado, mas a contração ainda pode ser maior (entre 15% e 20%), já que o valor anunciado dos imóveis é superior ao montante pelo qual são de fato vendidos, segundo explicou a vice-presidente e analista do Moody’s, Cristiane Spercel.

“Essas quedas dos preços se devem, principalmente, a uma forte contração da confiança do consumidor, que se baseia na incerteza econômica no Brasil, incluindo o emprego deficiente e as taxas de inflação elevadas”, disse.

Segundo o Índice Fipe ZAP, que monitora os preços anunciados dos imóveis, o valor dos aluguéis registrou uma queda real de 12,98% nos últimos doze meses, especialmente no Rio de Janeiro. Em termos nominais, o aluguel no Rio caiu 8,56% em doze meses, enquanto em São Paulo a retração foi de 4,50%.

Para o maior sindicato do mercado imobiliário da América Latina, o Secovi-SP, a recuperação do setor depende da recuperação da economia. “A demanda existe, mas está reprimida pela incerteza com relação ao cenário econômico”, diz o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary. “A compra é postergada até que a crise se solucione.”

Há um caminho alternativo, avalia o dirigente: os investidores estrangeiros. Os consumidores brasileiros podem estar com restrições causadas pela atual conjuntura, mas a forte desvalorização do real, que caiu 48,3% frente ao dólar em 2015, pode atrair compradores do exterior, acredita Amary.

(Com EFE)

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