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Governo desliga mais térmicas e custo extra de energia acabará em abril

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou nesta quinta-feira, que a partir do dia 1º de março serão desligadas usinas térmicas equivalentes a 3 mil Megawatts, além daqueles 2 mil MW anunciados no início de fevereiro, que levarão à cobrança da bandeira nas conta de luz do patamar 1 da vermelha (R$ 3,00 por 100 kWh consumidos) para a amarela (R$ 1,50). Permanecem em uso ainda 12 mil MW em térmicas ligadas, do total de 18 mil MW de potência instalada.

Segundo Braga, continua a previsão de bandeira amarela em março, mas a partir de abril, serão desligadas ainda mais térmicas, totalizando cerca de 10 mil MW em abril, de usinas com valor acima de R$ 250 por Megawatt-hora (Mwh) gerado. Com isso, a partir de abril, o regime de bandeira tarifária cobrada nas contas de luz passará da amarela para a verde, sem custo extra para os consumidores.

— Evidentemente, por razões elétricas, temos o despacho de uma ou outra usina — disse Braga.

A decisão foi tomada em uma reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico (CMSE) nesta quinta-feira. Também hoje o Ministério de Minas e Energia anunciou que os reservatórios da região Sudeste-Centro-Oeste superaram a marca de 50% da capacidade.

— Não teremos mais ônus de bandeira para o consumidor (em abril). A tarifa de energia elétrica está efetivamente no ciclo de viés de baixa.

Segundo Romeu Rufino, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a queda da bandeira vermelha antiga, em vigor em janeiro, para a verde em abril, significará uma redução de cerca de 10% do custo total das tarifas.

Segundo Braga, a mudança da bandeira em direção ao nível verde é resultado de um conjunto de razões que vão desde a queda no consumo de energia, passando pela entrada em operação de novas usinas e a melhora no nível dos reservatórios.

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse que o anúncio da migração para a bandeira verde em abril já é possível porque as previsões mais conservadoras apontam para um avanço do nível dos reservatórios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste para 60% ao fim de abril, quando terminar o período de chuvas.

A previsão esperada, segundo ele, porém, é de que os reservatórios cheguem até lá com capacidade entre 60% e 70% do total. A previsão é de reservatórios em 30% em novembro, no fim do período seco, sendo que antes a expectativa era de 20%.

— Isso nos dá previsibilidade plena de tomar essa decisão — disse Chipp.

Ao fim da entrevista coletiva, Braga disse porém, que, como as decisões do CMSE e da Aneel sobre as bandeiras são mensais, se houver alguma imprevisibilidade ou um “desastre”, térmicas poderão ser religadas. Será a primeira vez, desde o início de 2015, quando as bandeiras passaram a ser cobradas, que o nível será verde, sem custo para o consumidor.

Em 2015, os consumidores pagaram R$ 14,7 bilhões na cobrança das bandeiras. O desligamento anunciado hoje por Braga implica economia de R$ 8 bilhões nos custos de geração de energia térmica ao ano.

(O Globo)

Conta de luz pode ter redução maior em março, diz ONS

As tarifas de energia elétrica poderão ter redução ainda maior que o esperado a partir de março, informou o diretor-geral da Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp. Segundo ele, isso será possível caso o volume de chuvas permita o desligamento de um número maior de termelétricas. O assunto será discutido em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), no próximo dia 2 de março. O debate levará em conta a avaliação da afluência dos rios e das condições dos reservatórios das usinas.

O governo já havia anunciado que, a partir de 1º de março, a cobrança extra da bandeira tarifária nas contas de luz cairá dos atuais R$ 3, do nível 1 da bandeira vermelha, para R$ 1,50, da bandeira amarela, a cada cem quilowatts-hora (kWh) consumidos. A redução será possível com o desligamento das termelétricas mais caras, que tem custo acima de R$ 420 por megawatt-hora (MWh).

Impacto em encargos setoriais

Chipp explica que mesmo que um número maior de termelétricas seja desligada, isso não significará mudança da bandeira para a cor verde a partir de março. Segundo ele, os estudos do ONS que serão encaminhados ao comitê ainda não foram concluídos:

— Fevereiro não foi tão favorável em termos de afluência hidrológica como janeiro. Mas, dependendo da evolução da hidrologia na primeira quinzena de março, pode-se ter uma redução nas tarifas, com o desligamento de mais termelétricas, mas mantendo a bandeira amarela.

A decisão de tirar mais termelétricas de operação dependerá, segundo Chipp, das estimativas do volume de água nos reservatórios até novembro, quando começa o período de chuvas. A conta de luz pode ter um desconto maior — mesmo sem uma alteração na bandeira amarela — porque os custos de geração de energia termelétrica são mais altos e incidem em alguns encargos setoriais embutidos na conta de luz de todos os consumidores, como a Conta de Consumo de Combustível (CCC) e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

No último domingo, segundo dados do ONS, foram gerados 7.514 megawatts médios de energia térmica, o que representa 13,14% do consumo total, de 57.189 megawatts médios. Nessa data, o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste estava em 49,6%, o maior patamar desde agosto de 2013, quando foi de 55%. Já no Nordeste, o nível dos reservatórios das usinas está em 30,5%, o maior desde julho de 2014, quando foi de 32,3%.

Efeito do horário de verão

Chipp destacou os resultados obtidos durante o horário de verão, que terminou à meia-noite de domingo. Nesse período, o menor consumo de energia nos horários de pico resultou em redução de gastos de R$ 162 milhões com a geração de termelétricas.

Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste houve redução da demanda no horário de pico de cerca de 2.600 MW. Deste total, 1.950 MW são referentes ao subsistema Sudeste e Centro-Oeste e 650 MW referentes ao Sul. De acordo com Chipp, a redução representou 4,5% da demanda no horário de pico nessas regiões.

Quando se considera o resultado durante todo o horário de verão — não apenas nas horas de pico — a redução no consumo foi de 1.040 megawatts médios nessas regiões.

— Além do benefício econômico com a redução de gastos com as termelétricas, o horário de verão permitiu armazenar mais água nos reservatórios das usinas, com redução no consumo de 1.040 megawatts médios, que seriam gastos independentemente da retração da economia — disse.

Chipp defende que os resultados obtidos no horário de verão representam economia significativa nos investimentos para ampliar a capacidade de oferta do sistema elétrico. Somente para oferecer os 2.600 MW economizados em horário de pico, seriam necessários R$ 7,7 bilhões:

— Deixo de ter a necessidade de fazer esses investimentos elevados para atender à demanda nos horários de pico. O horário de verão é benéfico para o setor elétrico e para o consumidor, pois melhora a qualidade dos serviços do sistema.

(O Globo)

Contratação de fumacês provoca polêmica no Rio

Até alguns anos atrás, quando se ouvia um zumbido forte e um cheiro diferente invadia a casa, todo mundo sabia: era hora do fumacê. Hoje, em meio à explosão de casos de dengue e zika, doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, muita gente se pergunta: por onde ele anda? O veículo tem aparecido pouco em alguns bairros e está no centro de uma polêmica. Por um lado, condomínios contratam empresas particulares para espalhar inseticida pelas áreas comuns e apregoam sua eficácia. Por outro, pesquisadores alertam que o uso indiscriminado do produto químico não é eficiente porque torna o mosquito mais resistente. Apesar desse alerta, quem contrata o fumacê diz que não vai parar de fazê-lo.

— Sou síndico há oito anos do Barramares. Antes disso já contratávamos uma empresa particular para espalhar inseticida. O fumacê vem de duas a três vezes por semana e tem dado resultado. Ainda não escutei qualquer reclamação de morador e não vi nenhum pegar dengue ou zika. Logo depois que o carro passa, diminui a quantidade de mosquitos voando. Todo mundo percebem isso. Certa vez, o veículo da firma veio só uma vez em uma semana, por causa de um feriado, e moradores reclamaram muito, dizendo que já havia mais mosquitos — afirma Luiz Iootty, síndico-geral do condomínio na Barra.

O subsíndico do Edifício Rosa da Barra, Sylvio Pinho, também afirma não ter dúvidas sobre a eficácia do fumacê. Segundo ele, desde 2007, quando assumiu a administração do condomínio, não há registros de moradores com dengue ou zika. De duas a três vezes por semana, uma empresa espalha inseticida no local, serviço que custa aos moradores R$ 800 por mês. A orientação é que todos mantenham as janelas abertas.

João Lane, técnico agrícola e administrador do Sítio Santo Antônio, em Areal, na Região Serrana, é outro que defende o fumacê. Segundo ele, como há criação de cavalos no local, só a circulação do veículo evita a proliferação de mosquitos:

— Estou há 16 anos no sítio e sempre peço um fumacê uma vez por semana. Aqui, nunca registramos casos de dengue ou zika, e olha que temos muitas bromélias.

Inseticidas perdem efeito

A pesquisadora da Fiocruz Denise Valle afirma que o uso indiscriminado de fumacês pode aumentar a população de mosquitos imunes a inseticidas:

— Dos cinco inseticidas aprovados pelo Ministério da Saúde, o Aedes aegypti já é imune a quatro. Apenas um, chamado Malathion, ainda é eficaz, mas, se for usado em excesso, logo perderá efeito.

Segundo a pesquisadora, até 2000, usava-se compostos conhecidos como organofosforados para controle de larvas e Aedes aegypti adultos, mas, com o tempo, o produto perdeu a eficácia. O Ministério da Saúde decidiu então usar inseticidas diferentes, do grupo chamado de piretroides. São os mesmos encontrados em supermercados, e o mosquito também ficou imune a eles.

— Em vez dos 30 anos que as larvas demoraram para criar resistência aos organofosforados, os mosquitos adultos ficaram imunes aos piretroides em apenas três, por causa do uso massivo desses produtos — diz Denise.

A Secretaria municipal de Saúde destaca que o fumacê não sumiu das ruas e que seu uso é racionalizado. De acordo com o órgão, 120 veículos espalharam inseticida este ano em 325 roteiros em todas as regiões da cidade. Os roteiros são conjuntos de ruas determinados de acordo com dados epidemiológicos e com a incidência de casos de doenças relacionadas ao Aedes aegypt.

(O Globo)

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