Imóvel mais barato em áreas de UPP
Imóveis em regiões de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que tiveram valorização no auge do projeto, estão perdendo valor de mercado. Em bairros como Copacabana, os apartamentos e casas chegaram a ter desvalorização de quase 10%, entre fevereiro de 2016 e abril deste ano, de acordo com o Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio). O vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, afirmou que a insegurança contribui para a queda na valorização dos imóveis.
“A crise econômica e a alta no desemprego também afastam os consumidores que pensam em alugar ou comprar um imóvel. Mas não há dúvidas que a insegurança nas áreas que contam com UPPs é o fator determinante na baixa nos preços. Voltamos a patamares de 2012 e isso é preocupante. A previsão é de que o preço continue caindo”, avaliou.
A depreciação dos imóveis foi maior na Rua Antonio Parreiras, Ipanema, área das UPPs do Pavão-Pavãozinho, que teve desvalorização de 9,7%, de acordo com o Secovi Rio. O preço do metro quadrado, que em maio de 2016 era de R$16.429, caiu para R$ 14.836 em abril de 2017. Na Rua Teixeira de Melo, um dos acessos ao Morro do Cantagalo, também em Ipanema, a variação negativa foi de 6,4%. Em maio de 2016, o metro quadrado naquela rua era avaliado em R$ 17.913. O valor caiu para R$ 16.770.
A Tijuca é outro bairro que sofre com a desvalorização. Os imóveis na área da UPP do Salgueiro, cujo metro quadrado chegou a valer R$7.673 em junho de 2015, está sendo cotado, agora, a R$ 7.350. Na área da Tijuca, de forma geral, a queda no preço do metro quadrado caiu 1%, entre junho de 2016 (R$ 7.318) e abril de 2017 (R$ 7.246).
Baixa no Engenho de Dentro
No Engenho de Dentro, região abrangida pela UPP Camarista, a variação negativa foi de 5,2%. O metro quadrado que em outubro de 2016 era estimado em R$ 4.954, baixou para R$4.696 em abril deste ano. Na região do Morro Dona Marta, em Botafogo, local da instalação da primeira UPP do estado, em 2008, a desvalorização das residências e lojas, atingiu 7,5% somente no último ano. Em fevereiro de 2016, quem queria comprar um imóvel no bairro, teria que desembolsar R$ 12.848 no metro quadrado.
No Dona Marta, que ficou praticamente oito anos sem registrar sequer um homicídio, a partir da implantação da UPP, a rotina de mortes e tiroteio está apavorando os moradores e a vizinhança.
De acordo com moradores, os traficantes voltaram a circular armados pela comunidade e em determinados pontos, a polícia não consegue mais patrulhar sem ser alvo dos bandidos. A UPP surgiu como esperança de comunidades por dias melhores. No entanto, assim como no caso dos imóveis, a vida nessas regiões parece estar perdendo o valor.
(O Dia)



