{"id":2039,"date":"2018-06-21T18:26:50","date_gmt":"2018-06-21T18:26:50","guid":{"rendered":"http:\/\/atlantida-adm.com.br\/blog\/?p=2039"},"modified":"2018-06-21T18:26:50","modified_gmt":"2018-06-21T18:26:50","slug":"conta-de-luz-pode-ficar-mais-cara-ate-dezembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/conta-de-luz-pode-ficar-mais-cara-ate-dezembro\/","title":{"rendered":"Conta de luz pode ficar mais cara at\u00e9 dezembro"},"content":{"rendered":"<p>O baixo n\u00edvel dos reservat\u00f3rios, que ajudou a elevar a tarifa de energia nos \u00faltimos anos, vai continuar pesando no bolso do brasileiro. Especialistas avaliam que a bandeira vermelha, adotada este m\u00eas e que encarece a conta de luz, deve permanecer at\u00e9 outubro, com possibilidade de ser estendida at\u00e9 dezembro, caso as chuvas n\u00e3o sejam suficientes para regularizar o patamar das hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Em tr\u00eas anos, a tarifa de energia residencial subiu 70% acima da infla\u00e7\u00e3o. De acordo com estudo feito pela consultoria Safira, a tarifa avan\u00e7ou 33,4% entre fevereiro de 2015 e maio de 2018, bem acima da infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, de 19,7%. O volume de chuvas abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica foi uma das principais raz\u00f5es para esse descolamento, ao lado de fatores como a alta do d\u00f3lar &#8211; que pressiona as tarifas da usina de Itaipu &#8211; e outros custos do setor repassados ao consumidor.<\/p>\n<p>M\u00eas passado, choveu 70% da m\u00e9dia hist\u00f3rica nas bacias que comp\u00f5em o sistema interligado, o terceiro pior \u00edndice para um m\u00eas de maio em 88 anos, segundo nota do Comit\u00ea de Monitoramento do Setor El\u00e9trico (CMSE) divulgada no in\u00edcio de junho.<\/p>\n<p>O CMSE afasta o risco de racionamento, mas analistas avaliam que, nesse ritmo, os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas permanecer\u00e3o abaixo do patamar desejado, levando as distribuidoras a recorrer a fontes mais caras de energia, como as termel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Em maio &#8211; quando come\u00e7a o chamado per\u00edodo seco, que vai at\u00e9 outubro &#8211; o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios nas regi\u00f5es Sudeste\/Centro-Oeste estava em 42,6%. No Nordeste, o patamar era de 39,69%. O ideal \u00e9 que estivessem acima de 50%.<\/p>\n<p>&#8211; Quando os reservat\u00f3rios est\u00e3o baixos, o Operador Nacional do Sistema (ONS) d\u00e1 ordem para que termel\u00e9tricas sejam acionadas, de forma a atender \u00e0 demanda. Pelas previs\u00f5es, \u00e9 grande a probabilidade de a bandeira vermelha ficar at\u00e9 outubro &#8211; afirmou Leonardo Calabr\u00f3, vice-presidente de Opera\u00e7\u00f5es da consultoria Thymos.<\/p>\n<p>As distribuidoras t\u00eam contratos de longo prazo de fornecimento de energia acertados nos leil\u00f5es, mas assumem custos maiores quando chove pouco e precisam comprar energia mais cara. Para compens\u00e1-las, o governo criou, em 2015, o sistema de bandeiras tarif\u00e1rias, que embutem uma cobran\u00e7a adicional na conta.<\/p>\n<p>A cor verde indica situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel dos reservat\u00f3rios. As bandeiras amarela e vermelha (n\u00edvel 1 e 2) significam que o consumidor pagar\u00e1 at\u00e9 R$ 5 mais na conta de luz a cada 100 kilowatt hora (kWh) consumidos.<\/p>\n<p>Entre outubro e dezembro de 2017, a bandeira tarif\u00e1ria estava vermelha. Ficou verde entre janeiro e abril, quando as chuvas voltaram a cair com for\u00e7a. Em maio, ficou amarela. E, em junho, voltou a ficar vermelha. A cor da bandeira tamb\u00e9m indica aos consumidores a necessidade de mudan\u00e7a de h\u00e1bitos para poupar energia, como tomar banhos mais curtos (para quem tem chuveiro el\u00e9trico) e n\u00e3o deixar a porta da geladeira aberta por muito tempo.<\/p>\n<p>&#8211; A nossa perspectiva \u00e9 que, no curto e no m\u00e9dio prazos, ao longo de 2018 e 2019, as tarifas se mantenham altas. O item energia el\u00e9trica est\u00e1 se tornando um componente cada vez mais pesado na forma\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o &#8211; destacou Josu\u00e9 Ferreira, consultor de Neg\u00f3cios da Safira. &#8211; Nosso estudo mostra que a energia residencial tem ficado mais cara proporcionalmente em rela\u00e7\u00e3o a todos os demais itens que comp\u00f5em o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA).<\/p>\n<p>Em maio, o IPCA subiu 0,4%, pressionado, entre outras coisas, por energia e combust\u00edveis. O estudo da Safira compilou dados sobre energia desde 2013. O levantamento mostra que a tarifa de energia m\u00e9dia residencial estava em R$ 275,42 por megawatt-hora (MWh) em julho daquele ano &#8211; poucos meses ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria 579\/2012, na gest\u00e3o de Dilma Rousseff, que for\u00e7ou a redu\u00e7\u00e3o de 20% do pre\u00e7o da energia. Em novembro de 2017, a tarifa atingiu o pico de R$ 488,59 por MWh, ou 77% acima do valor m\u00e9dio que o consumidor pagou em julho de 2013.<\/p>\n<p>&#8211; Depois de toda essa pol\u00edtica (de for\u00e7ar a redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os), houve um regime hidrol\u00f3gico desfavor\u00e1vel, al\u00e9m de v\u00e1rios fatores que inverteram a tend\u00eancia de queda. Ent\u00e3o, a partir de janeiro, fevereiro, mar\u00e7o de 2015, o \u00edndice de pre\u00e7os da energia residencial tem ficado sistematicamente bem acima da infla\u00e7\u00e3o &#8211; comentou Ferreira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das poucas chuvas, outro fator que pesa nas tarifas de energia \u00e9 o chamado risco hidrol\u00f3gico (GSF). Quando a gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica fica abaixo do volume contratado por determina\u00e7\u00e3o do ONS &#8211; justamente para preservar os reservat\u00f3rios -, as geradoras perdem receita. Essa perda acaba sendo compensada pela alta da tarifa. H\u00e1 ainda o impacto do c\u00e2mbio. A energia gerada por Itaipu \u00e9 cobrada em d\u00f3lar. S\u00f3 este ano, a moeda americana subiu 13%.<\/p>\n<p>Segundo \u00c9rico de Brito, gerente de assuntos regulat\u00f3rios da Excel\u00eancia Energ\u00e9tica, as distribuidoras que mais recebem energia de Itaipu s\u00e3o Eletropaulo, Cemig, Copel-D e Light. No caso da Light, o efeito da alta do d\u00f3lar s\u00f3 ser\u00e1 percebido a partir de mar\u00e7o de 2019, m\u00eas do reajuste anual. J\u00e1 para os consumidores da Copel e da Eletropaulo, a press\u00e3o da moeda poder\u00e1 ser percebida j\u00e1 em 2018.<\/p>\n<p>Daqui a alguns anos, se Angra 3 for conclu\u00edda, haver\u00e1 um custo adicional na conta de luz. Como ela vai gerar uma energia de reserva para garantir a seguran\u00e7a do sistema, o custo da tarifa ser\u00e1 rateado por todos, por meio do chamado Encargo de Energia de Reserva (EER).<\/p>\n<p>\u00c9rico de Brito lembra ainda que h\u00e1 uma tend\u00eancia estrutural de uso de fontes consideradas mais caras no Brasil. At\u00e9 alguns anos atr\u00e1s, 90% da eletricidade vinham de fontes hidr\u00e1ulicas. Como as reservas de \u00e1gua est\u00e3o, em sua maioria, na Regi\u00e3o Norte, e h\u00e1 forte press\u00e3o ambiental para conter o avan\u00e7o de hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia, o pa\u00eds vem buscando a diversifica\u00e7\u00e3o de fontes energ\u00e9ticas, incluindo a solar e a e\u00f3lica, que ainda s\u00e3o mais caras que a hidr\u00e1ulica, que hoje representa 60,8% da matriz.<\/p>\n<p>&#8211; A tend\u00eancia de longo prazo \u00e9 ficar mais caro &#8211; reconhece Brito.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":2040,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2039"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2041,"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039\/revisions\/2041"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.atlantida-adm.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}